(...) Onde estava o defeito? No amor mesmo talvez! Porque enfim, ela e Basilio estavam nas condições melhores para obterem uma felicidade excepcional: eram novos, cercava-os o mistério, excitava-os a dificuldade… Por que era então que quase bocejavam? É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois! …
Seria pois necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?
(Eça de Queiroz in "Primo Basílio")
"Nós, os perecíveis, tocamos metais,
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão, imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo, nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me.
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão, imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo, nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me.
(...)
Perecível amor...
Perecível vaidade
Perecível saudade.
E mesmo assim
Como a fumaça desse teu cigarro
Seguiremos...
Aos tolerantes agrados
Aos transcendentes estragos..."
(Pablo Neruda)
