CASA NOVA:

https://www.facebook.com/pages/É-Sagrado-viver
Mostrando postagens com marcador Clarice Lispector. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clarice Lispector. Mostrar todas as postagens

23 de maio de 2011

(...) Oh Deus, eu já fui muito ferida. Mas a quanta gente tenho pelo que agradecer. Só não cito os nomes para não ferir o pudor de quem eu citasse. Tenho recebido olhares que valem por uma reza. E há quem já tenha feito promessa por mim.
E eu? Vou tentar rezar agora mesmo, despudoradamente em público. É assim: Meu Deus - não, é inútil, não consigo. Mas talvez dizer um pedido que posso fazer e farei agora mesmo: Deus, fazei com que os que eu amo não me sobrevivam, eu não toleraria a ausência. Pelo menos isso eu peço.

(Clarice Lispector)


Aos que me alicerçam. Aos que me orientam. Amém!

20 de maio de 2011

(In) compreensão.

(...) Mas se eu esperar compreender para aceitar as coisas — nunca o ato de entrega se fará. Tenho que dar o mergulho de uma só vez, mergulho que abrange a compreensão e sobretudo a incompreensão.
E quem sou eu para ousar pensar? Devo é entregar-me. Como se faz?
Sei porém que só andando é que se sabe andar e — milagre — se anda.

(Clarice Lispector)

30 de abril de 2011

Interioridades.



(...) aos olhos nus, não passava de uma chuva repentina, 
mas aqui dentro soava como uma tempestade.
(Clarice Lispector)
 Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre a aorta e a omoplata rolam 
alquebrados sentimentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

(Affonso Romano de Sant'Anna)

27 de abril de 2011

"O silêncio é a gente mesmo, demais”
(João Guimarães Rosa)
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1953
Clarice,
Gostei de saber que você está com a alma mais sossegada. O sentimento de grandeza que você acha que está perdendo talvez agora é que você esteja adquirindo. Sua predisposição para ficar calada não é propriamente uma novidade: a novidade é estar aceitando, inclusive, o silêncio. É bom isso, dá mais paciência, mais compreensão, dá mais sentimento às coisas — e dá grandeza.

Fernando.

(Carta de Fernando Sabino para Clarice Lispector)

Quanta sabedoria cabe em um silêncio?

24 de abril de 2011

Olhara-o e descobrira na sua trêmula vitória a mesma perturbação. 
Ele lhe trouxera timidamente um grito. 
Fitaram-se um instante e tudo era indeciso, frágil, tão novo e nascente.

(Clarice Lispector) 

"Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos,
 ela com as mãos na altura dos quadris, agarrando, torcendo a própria saia.
E corava pouco à pouco até ficar bem vermelha,
 como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol.
A um palmo de distância dela, eu era o maior homem do mundo, eu era o Sol”

(Chico Buarque)


3 de abril de 2011

Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós...


Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
(...) Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.

(Clarice Lispector)


Querida Clarice, com pesar, informo que nada mudou por aqui...

14 de março de 2011




Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe sua roupa de viver.
Todas as manhãs ela caminha vagarosamente para pegar o ônibus que a levará para lugar nenhum, para ver ninguém.
E todas as manhãs ela imagina como serão as tardes, já sabendo a resposta, finge ser feliz assim todas as manhãs.
E todas as manhãs ela espera pela noite, ela espera assim arduamente para voltar para seu quarto, e ser triste. É quando ela sente que esta assim completa.
Completamente triste, mas completa.
E quando ela tira a roupa e põe todo o seu corpo em baixo das cobertas quentes e sente que começa a sonhar, é quando ela sorri.
Assim pra ninguém. Mas pra ela mesma. E viver vale a pena." 

(Clarice Lispector)
"Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho.
Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. 
Embora amor dentro de mim não falte."



(Clarice Lispector)

11 de março de 2011


Nunca se esquecer, quando se tem uma dor, que a dor passará.

(Clarice Lispector)


9 de março de 2011


Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesmo de vez em  quando numa redoma e poupe-se.

(Clarice Lispector)

6 de março de 2011


"Tenho candura dentro de mim. Escondo-a por que ela foi ferida.
 Peço a Deus que sua candura nunca seja ferida e que ela se mantenha para sempre"

(Trecho de um bilhete de Clarice Lispector para Chico Buarque)
Amanheci em cólera.


Não, não, o mundo não me agrada.
 A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo.
E o amor, em vez de dar, exige.
 E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam.
 Mentir dá remorso.
E não mentir é um dom que o mundo não merece...

(Clarice Lispector)

5 de março de 2011

Um Domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente - como em dores de parto - e vi que a menina em mim estava morrendo.
Nunca esquecerei esse Domingo. Para cicatrizar levou dias.
E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica.
Sem menina dentro de mim.
(Clarice Lispector)


Clarice Lispector

Deixo-me acontecer...


"...mas agora chegou a hora de parar a pintura para me refazer, refaço-me nestas linhas. Tenho uma voz. Assim como me lanço no traço do meu desenho, este é um exercício de vida sem planejamento. O mundo não tem ordem visível e eu só tenho a ordem da respiração. Deixo-me acontecer..."
(Clarice Lispector)