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29 de julho de 2011

Leve...


(...) É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe...
Como seria bom se as outras pessoas fossem vazias como o céu, e não tão cheias de palavras, de ordens, de certezas. Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu, onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas...

(Rubem Alves)


Bom final de semana a todos!

=]

11 de junho de 2011

12 de Junho.

(...) A quem esperar. De quem sentir saudades. Um nome entre todos.
O verso mais bonito. A música que não se esquece. O par pra toda dança.(...)
(Briza Mulatinho)
Para vós invoco os prazeres que voam nos ventos e as alegrias que moram nas cores: beleza, harmonia, encantamento, magia, mistério, poesia: que essas potências divinas lhes façam companhia.
Que o sorriso de um seja, para o outro, festa, fartura, mel, peixe assado no fogo, côco maduro na praia, onda salgada do mar...
Que as palavras do outro sejam tecido branco, vestido transparente de alegria, a ser despido por sutil encantamento.
E que no final das contas e no começo dos contos, em nome do nome não-dito, bem-dito, em nome de todos os nomes ausentes e nostalgias presentes, de ágape e filia, amizade e amor, em nome do nome sagrado, do pão partido e do vinho bebido, sejam felizes os dois, hoje, amanhã e depois.

(Rubem Alves)


Aos que amam!
Feliz Dia dos (e)namorados!

24 de maio de 2011

O Toque.

(...) O tato é, talvez, o sentido sobre o qual menos se tenha falado. Há uma filosofia dos olhos, uma filosofia do ouvido, uma filosofia da boca. Mas desconheço uma meditação filosófica sobre o tocar. E, no entanto, a pele é lugar de tantas alegrias.(...)
(Rubem Alves)
“Foi um momento o em que pousaste sobre o meu braço, 
num movimento mais de cansaço que pensamento, a tua mão, e a retiraste. 
Senti ou não? Não sei. Mas lembro e sinto ainda qualquer memória fixa e corpórea onde pousaste a mão que teve qualquer sentido incompreendido, mas tão de leve!.. Como se tu, sem o querer, em mim tocasses para dizer qualquer mistério, súbito e etéreo,
 que nem soubesses que tinha ser.” 

(Fernando Pessoa)

22 de maio de 2011

(...) E não existe remédio mais poderoso para transformar os grandes em crianças que um brinquedo. (...)
(...) Eu fazia brinquedos com caixinhas de fósforo, carretéis vazios de linha, bambús, talos de aboboreira (com eles se fazem divertidos instrumentos musicais!), rolhas, dobraduras de papel. Você poderá até fazer um rebanho de carneiros usando batatas e palitos. Você achou tudo isso bobagem? Então, você se parece com a minha avó. Trate de se salvar.
Repita comigo a reza da Adélia: "Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande…"


(Rubem Alves)

3 de maio de 2011

Algum dia, o poder será dado à ternura.
(Rubem Alves)
A gratuidade do amor consiste nisso:
Amar quando o outro não
merece ser amado.
Surpresa maior não há!
Ser abraçado no momento em que
sabemos não merecer ser perdoados.
O Amor Verdadeiro Desconcerta!

(Pe. Fábio de Melo)

19 de abril de 2011

Como tenho raiva do Antoine de Saint Exupéry –
 “tornamo-nos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos…”
 Mas isso não é terrível? Ser reponsável por tanta gente? (...) 
Então, abandonar o amor? Não. Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial. (...)

(Rubem Alves)



Meus sentimentos pela obra de Exupéry passam bem longe de qualquer raiva,
mas isso vou morrer concordando com Rubem Alves.
"Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, 
desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, 
nunca será perda de tempo. 
O essencial faz a vida valer a pena..."

30 de março de 2011



"Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. “Amor é estado de graça e com amor não se paga”. Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que “amor com amor se paga”. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo".

(Rubem Alves)

25 de março de 2011


O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer! Fala-se de “boa memória”. Não se fala de “bom esquecimento”, como se esquecimento fosse apenas memória fraca. Não é não.
Esquecimento é perdão, o alisamento do passado, igual ao que as ondas do mar fazem com a areia da praia durante a noite.


(Rubem Alves)

7 de março de 2011


Não sabia que era precisamente esse fracasso que me levaria ao lugar que desejava.
As correntes do rio profundo foram mais generosas que o meu remar contra elas.
Não cheguei aonde planejei ir.
Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse.

(Rubem Alves)

5 de março de 2011


É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe...
Como seria bom se as outras pessoas fossem vazias como o céu, e não tão cheias de palavras, de ordens, de certezas. Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu, onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas...

(Rubem Alves)

No lugar das coisas possíveis, os homens escrevem os seus nomes.
Mas quando o impossível se faz carne, ali se escreve o nome de Deus...
(Rubem Alves)