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16 de julho de 2011

"Quem lhe disse que eu era riso sempre e nunca pranto?
 Como se fosse a primavera. Não sou tanto..."

(Chico Buarque)
A dor incomoda. A quietude perturba. O recolhimento intriga e incomoda os demais: "Ele deve estar doente, deve estar mal, vai ver é depressão, quem sabe um drinquezinho, uma nova amante, um novo namorado..." 
Para não se inquietarem, para não terem de "parar para pensar", ou apenas porque nos amam e nosso sofrimento os perturba, a toda hora nos dão um empurrãozinho: "Reaja, vamos, saia de casa, pára de chorar, bote um vestido bonito, vamos ao cinema, vamos jantar fora".Também para isso haverá uma hora certa. O luto é necessário - ou a dor ficará soterrada debaixo de futilidade, sua raiz enterrando-se ainda mais fundo, seu fogo queimando nossas últimas reservas de vitalidade, e fechando todas as saídas. Não vou me alegrar jantando fora quando perdi meu amor, perdi minha saúde, perdi meu amigo, perdi meu emprego, perdi minha ilusão... perdi algo que dói, seja o que for. Então, por um momento, uma semana, um mês ou mais, me deixem sofrer. Permitam-me o luto no período sensato. Me ajudem não interferindo demais. O telefonema, a flor, a visita, o abraço, sim, mas por favor, não me peçam alegria sempre e sem trégua.

(Lya Luft)


**desculpem a ausência nos blogs.
Voltando às atividades normais. :)

24 de abril de 2011

Olhara-o e descobrira na sua trêmula vitória a mesma perturbação. 
Ele lhe trouxera timidamente um grito. 
Fitaram-se um instante e tudo era indeciso, frágil, tão novo e nascente.

(Clarice Lispector) 

"Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos,
 ela com as mãos na altura dos quadris, agarrando, torcendo a própria saia.
E corava pouco à pouco até ficar bem vermelha,
 como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol.
A um palmo de distância dela, eu era o maior homem do mundo, eu era o Sol”

(Chico Buarque)


20 de abril de 2011

“As cabeças levantadas
 máquinas paradas
 dia de pescar
 pois quem toca o trem pra frente
 também de repente
 pode o trem parar”

(Chico Buarque)


Ausente nesse feriado, volto segunda.
Feliz Páscoa a todos! 

7 de abril de 2011

"..Para viver um grande amor, na realidade,
 há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade
 Pois quem trai seu amor por vaidade é desconhecedor da liberdade,
 dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.."

(Vinícius de Moraes)

"..Você, quando não dorme
Quem é que você chama?.."

(Chico Buarque)

4 de abril de 2011



O jeito, no momento, é ver a banda passar, cantando coisas de amor. Pois de amor andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.
(...)
Coisas de amor são finezas que se oferecem a qualquer um que saiba cultivá-las, distribuí-las, começando por querer que elas floresçam. E não se limitam ao jardinzinho particular de afetos que cobre a área de nossa vida particular: abrange terreno infinito, nas relações humanas, no país como entidade social carente de amor, (...) todos que viram a banda passar, e por uns minutos se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicalizar a alma da gente.

(Crônica de Drummond sobre “A Banda” de Chico Buarque)

Boa semana a todos.. :)