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16 de julho de 2011

"Quem lhe disse que eu era riso sempre e nunca pranto?
 Como se fosse a primavera. Não sou tanto..."

(Chico Buarque)
A dor incomoda. A quietude perturba. O recolhimento intriga e incomoda os demais: "Ele deve estar doente, deve estar mal, vai ver é depressão, quem sabe um drinquezinho, uma nova amante, um novo namorado..." 
Para não se inquietarem, para não terem de "parar para pensar", ou apenas porque nos amam e nosso sofrimento os perturba, a toda hora nos dão um empurrãozinho: "Reaja, vamos, saia de casa, pára de chorar, bote um vestido bonito, vamos ao cinema, vamos jantar fora".Também para isso haverá uma hora certa. O luto é necessário - ou a dor ficará soterrada debaixo de futilidade, sua raiz enterrando-se ainda mais fundo, seu fogo queimando nossas últimas reservas de vitalidade, e fechando todas as saídas. Não vou me alegrar jantando fora quando perdi meu amor, perdi minha saúde, perdi meu amigo, perdi meu emprego, perdi minha ilusão... perdi algo que dói, seja o que for. Então, por um momento, uma semana, um mês ou mais, me deixem sofrer. Permitam-me o luto no período sensato. Me ajudem não interferindo demais. O telefonema, a flor, a visita, o abraço, sim, mas por favor, não me peçam alegria sempre e sem trégua.

(Lya Luft)


**desculpem a ausência nos blogs.
Voltando às atividades normais. :)

16 de junho de 2011

Não me cabe a roupa de super-herói.
De longe na paisagem tudo é tão perfeito
Tudo é tão normal
De perto toda coisa linda mostra algum defeito
E eu me sinto igual.

 (Luiza Possi)    


 (...) No esforço de realizar tarefas que talvez nem nos digam respeito, tememos olhar em torno e constatar que muita coisa falhou.Se falharmos, quem haverá de nos desculpar, de nos aceitar, onde nos encaixaremos, nesse universo de exitosos, bem-sucedidos, ricos e belos?
Pois não se permite o erro, o fracasso, nesse ambiente perfeito.
Duro dizer: amei torto, ignorei meus filhos, falhei com minha parceira ou parceiro, votei errado, fracassei na profissão, não ajudei meu amigo, abandonei meus velhos pais 
e esqueci meus sonhos.

(Lya Luft)

3 de junho de 2011

Eu acho mais bonito ter esperança.

18 de maio de 2011

"Duro aprendizado amoroso, o começo de uma separação. Porque, seja como for, é uma pequena morte. Difícil não se magoar quando o amado muda. Podemos ter certeza de que não o faz por maldade, que quando dizia "eu te amo" estava amando de verdade, a verdade dele. Queremos ser superiores, queremos ser generosos, podemos até dizer: "Vá, sim, vá que eu espero, vá porque eu não posso te prender". Ou: "Seremos amigos para sempre".

Mas nós nos machucamos e talvez ao outro, lutando contra a nossa humanidade que quer se agarrar ao momento de beleza, quer continuar sonhando - e agora o que fará com essas mãos cheias de ternuras para dar, a cabeça repleta de sonhos e projetos, o corpo acostumado aos calores do amor?
No futuro tudo isso há de cintilar. Mas agora não sabemos disso, e por não saber é que sangramos".


(Lya Luft)

15 de maio de 2011

"Tire seu sorriso do caminho que quero passar com a minha dor”

"Contrariando a mais elementar psicologia, mal perdemos uma pessoa amada, todos nos instigam a passar por cima. ‘Não chore, reaja’, é o que mais ouvimos. ‘Limpe a mesa dele, tire tudo do armário dela, troque móveis, roupas de cama, mude-se de casa.’ 
Tristeza e recolhimento ofendem nossa paisagem de papelão colorido. Saímos do velório e esperam que se vá depressa pegar a maquilagem, correr para a academia, tomar o antidepressivo, depressa, depressa,
 pois os outros não agüentam mais, quem quer saber da minha dor?”

(Lya Luft) 

20 de abril de 2011

Não somos nem bons nem maus:
somos tristes. Plantados entre chão
e estrelas, lutamos com sangue,
pedras e paus, sonho
e arte.

Nem vida nem morte: somos lúcida vertigem,
glória e danação. Somos gente:
dura tarefa.
Com sorte, aqui e ali ternura
faz parte.


(Lya Luft)

15 de abril de 2011


O sonho na prateleira me olha com seu ar de boneco quebrado.
Passo diante dele muitas vezes e sorrimos um para o outro,
cúmplices de nossos desastres cotidianos.
Mas quando o pego no colo (como às bonecas tão antigamente)
para avaliar se tem conserto ou se ficará para sempre como está,
sinto sem estranheza que dentro dele ainda bate um pequeno tambor obstinado
 e marca - timidamente - um doce ritmo nos meus passos.

 (Lya Luft) 

25 de março de 2011

Meu coração se transforma a cada experiência. Mas ainda palpita, se sobressalta e se assusta. Ainda sou vulnerável ao belo e ao bom, ao ruim e ao decepcionante, como quando eu tinha dez anos.”

(Lya Luft)

14 de março de 2011

"Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu..." (Ana Jácomo)


“…Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos pq estou quieta. Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.”



(Lya Luft)







7 de março de 2011

 
 
"Construir um ser humano, um nós, é um trabalho que não dá férias nem concede descanso: haverá paredes frágeis, cálculos malfeitos, rachaduras.
Quem sabe um pedaço que vai desabar?
Mas se abrirão também janelas para a paisagem e varandas para o sol."

(Lya Luft)