O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.
(Adélia Prado)
Abro uma antiga mala de velharias e lá encontro minha máscara de esgrima. Emocionante o momento em que púnhamos a máscara – tela tão fina – e nos enfrentávamos mascarados, sem feições. A túnica branca com o coração em relevo no lado esquerdo do peito,
‘olha esse alvo sem defesa, menina, defenda esse alvo!’ – advertia o professor
e eu me confundia e o florete do adversário tocava reto no meu coração exposto.
(Lygia Fagundes Telles)





