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8 de agosto de 2011


“Polisipo, em grego, significa “pausa na dor”. Têm sido, estes dias, polisipos...”
(Caio F.)

Tudo em mim tem sido esta vontade de afagar. Há tempos não me ocupo com outra coisa: em tudo que toco ou manuseio há o propósito de cura através do calor das minhas mãos.
Tudo em mim tem sido a necessidade de vivenciar profundamente.
Se as palavras têm estado ausentes, aceito este recolhimento delas. E espero que voltem com um coração pulsando muito vivo dentro de cada uma. Por isso a vontade de experienciar cada sensação plenamente antes de tentar decifrar organizando em textos o que tenho sentido.
Dentro dessa minha desaceleração, tenho descoberto muita coisa como, por exemplo, quão necessário é saber receber amor. Deixar que tudo seja troca antes de ser um troféu. Deixar que o caos se mantenha intacto antes que haja ajustes. Ando muito comprometida com as essências. E com um respeito súbito, a partir daí, pelas aparências. Não vejo menores importâncias, vejo acontecimentos. E tenho olhado pras coisas sem aquela grande gravidade.
Tudo em mim tem sido esta disposição para o amor.
E, se vocês pudessem me ver agora, veriam, existe carícia até no meu olhar.

(Marla de Queiroz)

2 de abril de 2011

Oi-tudo-bem-e-aí-tô-ligando-pra-saber-se-você-vai-fazer-alguma-coisa-hoje-à-noite.

Como se a gente tivesse obrigação de fazer alguma coisa toda noite. Só porque é sábado.
Essa obsessão urbanóide de aliviar a neurose a qualquer preço nos fins de semana, pode? Tenho vontade de dizer nada, não vou fazer absolutamente nada. Só talvez, mais tarde, se estiver de saco muito cheio, tentar o sucídio com uma-dose-excessiva-de-barbitúricos, uma navalha, um bom bujão de gás ou algo assim. Se você quiser me salvar, esteja a gosto, coração.

(Caio Fernando Abreu)

28 de março de 2011


"A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

(Caio Fernando Abreu) 

19 de março de 2011


“Eu constantemente sinto saudade das coisas que perco, mas não as quero de volta. Já doeu uma vez.”


(Caio F.)

14 de março de 2011


"A gente procura um amor que dure o mais possível. Procura, procura, talvez tu ache. Para mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva. Esse espaço entre dois encontros pode esmagar completamente uma pessoa. Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não agüenta o fato de estar sozinho."


(Caio Fernando Abreu)

7 de março de 2011


"Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz.
Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas.
Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor.
Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares.
Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo.
Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo!
É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco.
Mas, faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei:
eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca.
Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço.
Meu tempo não se mede em relógios.
E a vida lá fora, me chama.


(Caio Fernando Abreu )

5 de março de 2011

Respirou fundo. Morangos, mangas maduras, monóxido de carbono,
 pólen, jasmins nas varandas dos subúrbios.
 O vento jogou seus cabelos ruivos sobre a cara.
Sacudiu a cabeça para afastá-los e saiu andando lenta em busca de uma rua sem carros, de uma rua com árvores, uma rua em silêncio onde pudesse caminhar devagar e sozinha até em casa.
 Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul - daquela não-dor, afinal.
(Caio Fernando Abreu)

Durma medo meu...



Me explica, que às vezes tenho medo.
 Deixo de ter, como agora, quando o vento cessa e o sol volta a bater nos verdes. Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está constantemente amanhecendo."

(Caio Fernando Abreu)