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27 de abril de 2011

"O silêncio é a gente mesmo, demais”
(João Guimarães Rosa)
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1953
Clarice,
Gostei de saber que você está com a alma mais sossegada. O sentimento de grandeza que você acha que está perdendo talvez agora é que você esteja adquirindo. Sua predisposição para ficar calada não é propriamente uma novidade: a novidade é estar aceitando, inclusive, o silêncio. É bom isso, dá mais paciência, mais compreensão, dá mais sentimento às coisas — e dá grandeza.

Fernando.

(Carta de Fernando Sabino para Clarice Lispector)

Quanta sabedoria cabe em um silêncio?

18 de abril de 2011

"Aqui digo: que se teme por amor,
mas que, por amor também,
é que a coragem se faz."

(João Guimarães Rosa)
Nada se perdeu. Tudo que foi vivido representa o que sou hoje e me faz ainda mais forte.
 Mais feliz também, apesar do gosto amargo da impossibilidade.
 Apesar de amar desse jeito trôpego e confuso, sem saber como nem onde.
Mas, mesmo quando as pernas vão vacilantes e o fardo se torna pesado,
 ainda assim “encho-me dum leite de versos e, 
sem poder transbordar, encho-me mais e mais”.
 Por que só sei viver e amar assim.
 “Como quem desaba sobre o outro como uma chuva forte”. 


(Camila Micheletti, e em itálico Maiakóvski)

(Autoria do texto retificada)

13 de abril de 2011

Sem fins lucrativos...


Careço é de pousar longe das pessoas de mando, 
mesmo de muita gente conhecida. 
Sou peixe de grotão. 
Quando gosto, é sem razão descoberta, quando desgosto, também.
 Ninguém com dádivas e gabos, não me transforma.

(João Guimarães Rosa)

4 de abril de 2011


“e fui vendo que aos poucos eu entrava numa alegria estrita,
 contente com o viver, mas apressadamente. 
A dizer, eu não me afoitei logo de crer nessa alegria direito,
como que o trivial da tristeza pudesse retornar.
 Ah, voltou não; por oras, não voltava”.

(João Guimarães Rosa)

(01 mês de blog... feliz em tê-los aqui!)

2 de abril de 2011

Foram infelizes e felizes, misturadamente...



O amor, minha filha, é como essa estória, que eles dizem: que pé de coité, nascendo em quintal de fazenda, dá má-sorte... Mas que não se pode cortar, mas também não se pode deixar – de qualquer jeito, que seja, fazenda que tem pé de coité dá atraso, os donos da casa sofrem.


(João Guimarães Rosa)

1 de abril de 2011

é melhor ser alegre que ser triste...

Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
(Adélia Prado)


Se todos fossem ficando tristes, mais tristes,
 todos se acabavam em ruindade (...).
Alegria tinha que ser chamada à força.
Era preciso chamar a alegria,
 como se chama a chuva, na desgraça ou numa seca demorada.

(João Guimarães Rosa)

30 de março de 2011


Sofre, sofre depressa, que é para as alegrias novas poderem vir...


(João Guimarães Rosa)

29 de março de 2011

daquilo que dá no coração...




*Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego.


*Daquela mão, eu recebia certezas. Dos olhos. Os olhos que ele punha em mim, tão externos, quase tristes de grandeza.


*A amizade dele, ele me dava. E amizade dada é amor.


(João Guimarães Rosa)

27 de março de 2011



“Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possí­vel, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos.
Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo.”

entre as folhas
de um livro-de-reza
um amor-perfeito cai.

(João Guimarães Rosa)

22 de março de 2011



Amor vem de amor.

Vem de longe, vem no escuro,

brota que nem mato que dispensa cuidado e

cresce com a mais remota chuva. 


(João Guimarães Rosa)

21 de março de 2011


(…) a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é.

(João Guimarães Rosa)

20 de março de 2011

19 de março de 2011



"Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas,
 matas e campinas.
 Coração mistura amores. Tudo cabe".

(João Guimarães Rosa)

17 de março de 2011

10 de março de 2011


"Hoje, temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas somos mais juntos. Sabemos mais uns dos outros. E é por esse motivo que dizer adeus se torna tão complicado. Digamos, então, que nada se perderá. Pelo menos, dentro da gente.”

(João Guimarães Rosa)