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26 de julho de 2011


(...) Onde estava o defeito? No amor mesmo talvez! Porque enfim, ela e Basilio estavam nas condições melhores para obterem uma felicidade excepcional: eram novos, cercava-os o mistério, excitava-os a dificuldade… Por que era então que quase bocejavam? É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois! … 
Seria pois necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?

(Eça de Queiroz in "Primo Basílio")


"Nós, os perecíveis, tocamos metais,
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão, imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo, nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me.
(...)
Perecível amor...
Perecível vaidade
Perecível saudade.
E mesmo assim
Como a fumaça desse teu cigarro
Seguiremos...
Aos tolerantes agrados
Aos transcendentes estragos..."

(Pablo Neruda)

5 de maio de 2011


"E eu tão singular me vi plural."
(Lenine)


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

(Pablo Neruda)

3 de maio de 2011

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço onde a claridade está presa.
 Há que sentar-se na beira do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

(Pablo Neruda)